Prova II

Turma, mais abaixo vocês verão uma série de informações que serão importantes para a vida profissional de vocês, no entanto para nossa próxima prova, será preciso estudar DIABETES e HIPERTENSÃO, suas características e tratamento.

 

SUCESSO PARA TODOS

Mais a frente vocês irão se deparar com informações diferentes das aulas, a questão é que a maioria delas correspondem a informações complementares. Para nossa segunda avaliação revisem as informações referentes ao seguimento farmacoterapêutico, as informações referentes a farmacovigilância que não foram ministradas para a avaliação anterior e as informações sobre o acompanhamento de usuários diabéticos. Para você estudar sobre diabetes reveja suas anotações e leia as Diretrizes Brasileiras de Diabetes, para isto clique aqui, a versão que disponibilizo aqui é a de  2008.

Atentem para palavras como: “sistemática” (obedecendo a um método, uma organização…); “contínua”, que tem o sentido de que os encontros devem ser frequentes, de modo que o usuário é acompanhado constantemente pelo farmacêutico com o objetivo de sanar e evitar problemas com medicamentos. Além disto, todas as ações devem ser documentadas, como se fosse um prontuário farmacêutico. Para se obter bons resultados é necessário que existam “resultados definidos”, quer dizer que para acompanhar um paciente não é possível ter a idéia de “melhorar o estado geral do paciente”, mas sim ter objetivos claros, como exemplos, é possível citar o controle da glicemia em pacientes diabéticos, da pressão em hipertensos, das convulsões em epilépticos… No entanto para acompanharmos se os resultados estão sendo atingidos devemos dispor de parâmetros de avaliação, dentre eles podemos mencionar a febre como parâmetro de monitorização para acompanhar o controle de infecções, os níveis de hemoglobina glicada e o valor da glicemia de jejum em pacientes diabéticos…

Quando os farmacêuticos decidiram realizar a atenção farmacêutica ficou claro que o desenvolvimento de métodos de seguimento seriam ferramentas muito úteis, por este motivo alguns pesquisadores, ao longo dos anos, reuniram-se para desenvolvê-los. Dentre os primeiros métodos desenvolvidos temos o Pharmacist Workup of Drug Therapy (PWDT), que podemos traduzir como “Análise da Farmacoterapia pelo Farmacêutico” desenvolvido por Strand, Morley e Cipolle em 1988. Este método foi criado, inicialmente, para a farmácia comunitária, no entanto adaptou-se muito bem ao seguimento farmacoterapêutico em farmácias hospitalares. O PDWT baseia-se no raciocínio clínico do farmacêutico, identificando as necessidades farmacoterapêuticas enquanto ele recebe a atenção farmacêutica. Este processo se divide em:

1.     Avaliação

2.     Desenvolvimento de um plano de cuidado

3.     O acompanhamento da evolução do paciente

Os métodos de seguimento farmacoterapêutico são os mais variados, dentre estes encontramos o SOAP que, nada mais é que o acrônimo dos passos necessários para sua execução, sendo estes os seguintes:

1.     Fase SUBJETIVA

a.     Momento em que se ouvem as queixas dos pacientes

                                          i.    Ex. o paciente informa que a pressão está alta porque sente dores de cabeça.

2.     Fase OBJETIVA

a.     Neste momento as queixas dos pacientes são confirmadas por métodos quantificáveis

                                          i.    Ex. A queixa subjetiva (PA elevada, por isso sente dores de cabeça) é confirmada por métodos quantificáveis (exames), neste caso o método é a aferição da pressão através de um esfignomanômetro.

3.     Fase de AVALIAÇÃO

a.     Neste momento as informações obtidas devem ser analisadas.

4.     Fase de PLANEJAMENTO

a.     O farmacêutico de posse das informações obtidas nas fases anteriores define a intervenção necessária para a resolução do problema, assim como um plano de seguimento farmacoterapêutico do paciente.

Dentre os métodos mais usados encontramos um que ganhou grande popularidade. Desenvolvido pelo Grupo de Estudos em Atenção Farmacêutica da Universidade de Granada, na Espanha, o Programa Dáder de Seguimento Farmacoterapêutico se tornou uma ferramenta bastante útil para os profissionais que realizam a atividade de atenção Farmacêutica, principalmente quando esta é realizada nas farmácias comunitárias.

O Dáder apresenta em seu Programa todas as suas fases bem definidas e de forma bem clara. Sendo estas as seguintes:

1.     Oferta do serviço

a.     Neste momento um usuário de medicamentos deve se dirigir ao farmacêutico para obter informações sobre algum tratamento. Cabe então ao profissional detectar a necessidade ou não de acompanhamento.

b.    Caso seja identificada a necessidade de um acompanhamento o farmacêutico oferta o serviço. Se este for aceito deve-se infirmar que o paciente deve trazer todos os medicamentos que existirem em sua casa.

2.     Primeira entrevista (ou primeira consulta farmacêutica)

a.     Nesta fase é importante manter o comportamento atento, utilizar as melhores técnicas de comunicação, ouvir e captar informações importantes.

b.    Esta entrevista é dividida em duas fases:

                                                          i.    Problema de saúde – neste momento avalia-se o conhecimento do paciente sobre o(s) problema(s), quais as principais características sobre este problema, quais as atitudes do paciente diante de complicações, parâmetros de monitorização…

                                                         ii.    Medicamentos da sacola – serão avaliados todos os medicamentos trazidos pelo usuário de modo a conhecer o máximo de informações sobre a forma de uso e o conhecimento do(s) medicamento(s) pelo usuário.

3.     Estado situacional

a.     Todas as informações são passadas paras as fichas de modo que se tenha o primeiro estado situacional do usuário;

4.     Fase de estudos

a.     De posse de todas as informações sobre o paciente, os problemas de saúde e os medicamentos, o farmacêutico deve se prepara tecnicamente adquirindo conhecimento sobre todos estes fatores.

5.     Fase de avaliação

a.     Após conhecer melhor o(s) problema(s) de saúde, o farmacêutico irá avaliar o caso e detectar todos os Problemas Relacionados com Medicamentos (PRM) reais (que aconteceram) ou potenciais (que podem vir a ocorrer).

6.     Fase de Intervenção

a.     Após a determinação dos PRM, o farmacêutico deverá realizar as intervenções necessárias para solucionar os problemas.

Não esqueça que tudo o que se faz na atenção farmacêutica deve ser muito bem registrado. Alguns profissionais utilizam fichas para preencher os dados dos pacientes assim como os achados durante as entrevistas e intervenções, no entanto, muitas empresas vêm desenvolvendo Softwares para registro de tais informações na área da atenção farmacêutica.

O que devemos observar sobre os medicamentos:

·         Indicações autorizadas

·         Mecanismo de ação

·         Posologia

·         Janela terapêutica

·         Interação

·         Farmacocinética

·         Interferências analíticas

·         Precauções

·         Contra-indicações

·         Problemas de segurança

 

ATENÇÃO FARMACÊUTICA

De acordo com o Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica podemos definir a atividade como sendo o “Modelo de prática farmacêutica, desenvolvida no contexto da Assistência Farmacêutica. Compreende atitudes, valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e co-responsabilidades da prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde, de forma integrada à equipe de saúde. É a interação direta do farmacêutico com o usuário, visando uma farmacoterapia racional e a obtenção de resultados definidos e mensuráveis, voltados para a melhoria da qualidade de vida. Esta interação também deve envolver as concepções dos seus sujeitos, respeitada as suas especificidades bio-psico-sociais, sob a ótica da integralidade das ações de saúde.”

 

PROBLEMA RELACIONADO COM MEDICAMENTO (PRM)

Na Atenção Farmacêutica a avaliação dos medicamentos se através do princípio básico que qualquer medicamento deve ser NECESSÁRIO, EFETIVO e SEGURO, no momento em que existe uma situação em que um destes princípios é ferido teremos um PRM instalado.

De acordo com o Terceiro Consenso de Granada os PRM são classificados da seguinte forma:

¢  O paciente NECESSITA do medicamento?

—  Problema de saúde não tratado: O paciente sofre de um problema de saúde associado a não receber um medicamento que necessita.

—  Uso de medicamento desnecessário: O paciente sofre por um problema de saúde associado ao uso de um medicamento que não necessita.

¢  O medicamento é EFETIVO?

—  Inefetividade não quantitativa: O paciente sofre por um problema de saúde associado a uma inefetividade não quantitativa do medicamento

—  Inefetividade quantitativa: O paciente sofre por um problema de saúde associado a uma inefetividade quantitativa do medicamento

¢  O medicamento é SEGURO?

—  Insegurança não quantitativa: O paciente sofre por um problema de saúde associado a uma insegurança não quantitativa do medicamento

—  Insegurança quantitativa: O paciente sofre por um problema de saúde associado a uma insegurança quantitativa do medicamento

A identificação destes PRM pode ser facilitada ao seguirmos o seguinte fluxograma para avaliação:

 

 

 

  FUNÇÕES DO FARMACÊUTICO

·         Realizar o acompanhamento/seguimento dos tratamentos farmacológicos;

·         Buscar, encontrar e documentar Problemas Relacionados com os Medicamentos (PRM), manifestados ou não;

·         Informar ao paciente/usuário dos PRM encontrados para tratar de resolvê-los juntos ou se for o caso, informar ao médico para que, uma vez avaliado o risco-benefício, decida se segue com o mesmo tratamento ou realiza mudanças oportunas;

·         Documentar resultados

 

NÃO É FUNÇÃO DO FARMACÊUTICO

·         Fazer anamnese clínica;

·         Diagnosticar ou prognosticar enfermidades;

·          Prescrever medicamentos;

·          Modificar doses e regimes terapêuticos prescritos;

·          Seguir a evolução de uma enfermidade

Devem ser convidados a participar do programa de atenção farmacêutica aqueles pacientes com:

·         Dois ou mais diagnósticos;

·         Três ou mais alterações laboratoriais;

·         Crônicos não cumpridores de seus tratamentos;

·         Hospitalizados com febre;

·         Cinco ou mais medicamentos;

·         Portadores de doenças induzidas por fármacos;

·         Expostos a medicamentos de alto risco ou de alto custo;

·         Com doenças endêmicas.

Quando se deseja realizar a atenção farmacêutica é fundamental seguir os seguintes passos para evitar erros e para se obter os melhores resultados durante a execução dos trabalhos:

1.     Realizar um diagnóstico da situação

o    Lugar de aplicação – onde se localiza a farmácia ou o hospital

o    Informações sobre os pacientes – qual o perfil dos pacientes (clientes) da farmácia ou do hospital em que será implantado o programa

o    Informações sobre os medicamentos

o    A viabilidade

2.     Formulação do plano

o    Quais os resultados esperados

o    Que métodos serão empregados

o    Quais os instrumentos de avaliação

o    Como serão realizadas as intervenções

o    Qual a duração do acompanhamento e das fases do processo

3.     Validação dos instrumentos e métodos

4.     Aplicação do plano

5.     Análise e documentação

 

COMUNICAÇÃO PROFISSIONAL-PACIENTE

Segundo Linda Gask e Tim Usherwood, “O sucesso de qualquer “consulta” depende de como o paciente e o Farmacêutico interagem”.

Antes de qualquer coisa, mantenha o comportamento atento, para tanto vale a pena usar algumas técnicas que podem facilitar a comunicação, dentre elas menciono as seguintes:

Uso de encorajadores mínimos – são interjeições ou pequenas perguntas ou exclamações que mostram ao paciente que você está conectado ao que ele está falando.

          “Oh!”, “então?”, “e depois?”, “e aí?”

          “O que mais?”

          “Umm-humm” “Uh-huh”

          “Aaaa…”

Repetir uma ou mais palavra chaves também pode ter o mesmo efeito:

[USUÁRIO] Pela manhã sinto muita dor, principalmente nas costas.

[FARMACÊUTICO] “Nas costas…” “Dor nas costas, não é?”

 

Use Perguntas abertas – as perguntas abertas são aquelas em que as respostas não são controladas, neste sentido o farmacêutico tem a possibilidade de obter informações que ele não esperava, favorecendo o aparecimento de novos fatos facilitando a compreensão dos relatos e, posteriormente, a avaliação do caso.

Ajuda a entender melhor uma situação que o paciente tenta relatar:

[FARMACÊUTICO] “Você pode me dar um exemplo de quando este problema aparece?” “O que você faz quando acontece isso?”

Ajuda o usuário a focalizar sua atenção na sua queixa:

[FARMACÊUTICO] “Como você se sente depois disso?”

Para elaborar uma pergunta aberta tente iniciar frases por:

·         “Como…”

·         “O que…”

·         “Você pode…

CUIDADO com o uso do “Por que…”, ele é muito inquisitório podendo fazer com que o usuário se sinta ameaçado e obrigado a explicar mais do que aquilo que ele se sente seguro. Fazendo com que o usuário passa a racionalizar suas respostas.

Perguntas abertas servem para:

·         O usuário clarear os seus problemas

·         Prover informações ao profissional

·         Abrir espaço para o usuário

 

Perguntas fechadas – Correspondem a um universo de respostas previsíveis e de opções bem limitadas, como “Sim” ou “Não” etc. Tenha cuidado com este tipo de pergunta pois pode tornar o paciente uma “vítima de ataque” – Parece que você está apenas tentando checar sua hipótese.

·         O usuário não consegue expressar espontaneamente

·         Você acha apenas o que procura

[FARMACÊUTICO] “Seu estômago doeu quando tomou este remédio?”

Perguntas fechadas servem para:

·         Obter informação específica

[FARMACÊUTICO] “Você toma este remédio antes ou depois das refeições?”

·         Checar se compreendeu o paciente

·         Controlar o tempo da entrevista

Outras estratégias de comunicação são as habilidades de escuta seletiva, dentre estas encontramos o Parafraseamento com o objetivo de direcionar a atenção para certos pontos da fala do usuário e negligenciar outros:

[USUÁRIO] “Meu estômago dói quando tomo este remédio, mas aí minha avó disse que é porque a lua está cheia. Na verdade, sempre que a lua está cheia eu sinto este tipo de coisa, minha vizinha disse que…”

[FARMACÊUTICO] “Quer dizer, então, que o estômago dói quando o senhor toma este medicamento!”

Parafrasear é a devolução, com suas próprias palavras, parte do conteúdo da informação passada pelo usuário com o propósito de:

·         Transmitir ao usuário que você está ligado a ele

·         Cristalizar o conteúdo do usuário tornando-o mais conciso

·         Prover avaliação da fidelidade de suas percepções sobre a narrativa do usuário

·         Direcionar a entrevista

A segunda habilidade de escuta seletiva é a Reflexão de sentimento, neste momento o farmacêutico interpreta o sentimento por traz da fala do usuário e o devolve na forma de palavras.

[USUÁRIO] “Amanhã vou fazer uns exames…” <falado com um tom de preocupação>

 

[FARMACÊUTICO] “Você parece estar tenso por causa destes exames”; “Eu sinto que você está…”

A última habilidade de escuta seletiva é a Sumarização, que nada mais é que o resumo da entrevista farmacêutica; é o fechamento da entrevista, o momento em que se checa a compreensão do usuário e do farmacêutico, além de ajudar o usuário a organizar seus pensamentos. No entanto deve-se expressar a sumarização de uma forma “tentativa” para que possa ser corrigido pelo usuário, deixando o paciente a vontade para corrigi-lo caso exista um equívoco na compreensão.

 

Para resumir os passos necessários para uma boa comunicação durante a entrevista da Atenção Farmacêutica é possível fazer o seguinte:

·         Use encorajadores mínimos, paráfrases e reflexões de sentimentos para indicar ao usuário que vocês está atento;

·         Observe a consistência das informações. Reflita os sentimentos, mas cuidado com as ambigüidades;

·         Observe questões importantes para devolvê-las mais tarde;

·         Distribua seus comentários e sumarize para o usuário o que você entendeu do diálogo na entrevista.

 

 

 

 

 

 

 

 

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