Archive for the ‘Prova I’ Category

Prova I

setembro 1, 2010

PERCURSO HISTÓRICO

No início da trajetória da Profissão a população poderia contar uma figura muito ilustre nas comunidades e, principalmente, na saúde, o Boticário. Tratava-se de um profissional que conseguia agir em diversos âmbitos do contexto do medicamento, imagino alguém que identificava uma doença, indicava um medicamento e o preparava, em seguida auxiliava na administração… Bem, estamos falando de um profissional que suas ações apresentavam um impacto direto na saúde da população, alguns destes profissionais acabavam assumindo cargos políticos como consequência de sua influência na comunidade. Mas, com o passar do tempo, durante a revolução industrial, os medicamentos passaram a ser produzidos, em escala muito maior, pelas grandes indústrias. Com isto o Farmacêutico perdeu espaço neste cenário. Por este motivo o profissional passou a buscar outras áreas do conhecimento, dentre estas as análises clínicas passaram a ser muito valorizadas e corresponder a uma das principais atividades profissionais.

Antes da revolução industrial o boticário tinha a função de obter, preparar e a avaliar os produtos medicamentosos, com o dever primário de garantir que os fármacos que ele comercializava fossem puros, não adulterados e preparados segundo a arte (Hepler e Strand, 1990).

Embora uma evasão do contexto do medicamento tenha ocorrido durante a revolução industrial, também ocorreu um aumento no número de publicações na área farmacêutica e muito profissionais não se renderam a industrialização e passaram a pesquisar e a aprimorar-se. Neste momento surge a figura do Farmacêutico Clínico, aproximadamente em 1960, correspondendo a um profissional que assessora, aconselha e educa sobre o uso correto de medicamentos. A atividade de Farmácia Clínica representa a introdução da prática farmacêutica ao paciente por meio dos serviços que passaram a ser prestados.

Muitas dúvidas surgiram neste momento, por este motivo, alguns eventos internacionais e publicações surgiram para que fosse possível discutir as novas práticas profissionais. Dentre estes Brodie (1967) já levantava idéias de que o cuidado e a responsabilidade social com o paciente foram negligenciados até aquele momento e criticava o foco do farmacêutico que continuava no medicamento, embora mais próximo do paciente e a atenção profissional voltada para o sistema biológico do paciente.

Já década de 1980 os farmacêuticos foram forçados a mudar de atitude assumindo novas responsabilidades. Alguns seguiram a tendência, outros mantiveram o status quo o que pode ter resultado em disputas entre facções e na fragmentação decorrente destas.

Em 1985 Charles Hepler, ao participar de uma conferência intitulada As direções para a prática clínica em farmácia, organizada pela American Society of Health-Sustem Pharmacistis, diz que “se deve estabelecer um compromisso para desenvolver a Farmácia como uma verdadeira profissão clínica e que se deve estabelecer um pacto entre farmacêuticos e pacientes e por extensão entre Farmácia e Sociedade”. Em 1987 Hepler descreveu uma idéia que chamava de Atenção Farmacêutica e relatava que “Os farmacêuticos clínicos devem mudar sua ênfase de realizar somente funções clínicas isoladas aos pacientes e devem passar a aceitar sua parcela de responsabilidade na atenção aos pacientes”.

Até que em 1987 Hepler convida a pesquisadora Linda Strand a trabalharem juntos, na Universidade da Flórida, nesta nova idéia. Esta união resultou em 1990 no mais famoso artigo publicado sobre Atenção Farmacêutico, intitulado “Oportunidades em responsabilidades na atenção farmacêutica”. Este momento pode ser enquadrado no que eles chamam de Etapa do cuidado do paciente que apresenta a morbidade e a mortalidade por medicamentos como elementos importantes neste contexto.

Para entenderem melhor este processo Leiam o artigo relatado (Hepler e Strand, 1990). Nele você verá uma discrição simples, mas direta do que vem a ser esta nova idéia e define a nova atividade como “a provisão responsável da farmacoterapia com o propósito de alcançar resultados definidos que melhorem a qualidade de vida do paciente”.

Muita coisa mudou, com o passar do tempo, e alguns eventos ocorreram pelo mundo discutindo as novas práticas clínicas profissionais e as novas atividades profissionais. Desta forma em 1993 foi publicada a Declaração de Tóquio, em 1999 surgiu o Primeiro Consenso de Granada sobre problemas relacionados com medicamentos, já em 2002 o Consenso de Granada sobre problemas relacionados com medicamentos e, neste mesmo ano, baseado em uma série de reuniões pelo Brasil, iniciada na cidade de Fortaleza, foi publicada a Proposta de Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica. O qual define a atividade como um modelo de prática farmacêutica, desenvolvida no contexto da Assistência Farmacêutica. Compreende atitudes, valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e co-responsabilidades da prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde, de forma integrada à equipe de saúde. É a interação direta do farmacêutico com o usuário, visando uma farmacoterapia racional e a obtenção de resultados definidos e mensuráveis, voltados para a melhoria da qualidade de vida. Esta interação também deve envolver as concepções dos seus sujeitos, respeitadas as suas especificidades bio-psico-sociais, sob a ótica da integralidade das ações de saúde.

As coisas acontecem muito rápido para a atenção farmacêutica, já em 2007 foi publicado o Terceiro consenso de granada sobre problemas relacionados com medicamentos e resultados negativos associados ao medicamento.

O CENÁRIO DA UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS

Estima-se que, aproximadamente, 4 em cada 1.000 pacientes hospitalizados morram por consequência problemas no uso de medicamentos e até 75% dos antibióticos são prescritos inapropriadamente, além de que 50% dos pacientes, em média, tomam seus medicamentos corretamente, fato que vem contribuindo para o crescimento constante da resistência da maioria dos germes causadores de enfermidades infecciosas prevalentes. Como se não bastasse, a metade dos consumidores compra medicamentos para tratamento de um só dia.

Podemos dizer que o objetivo da atenção farmacêutica é melhorar a qualidade de vida dos pacientes mediante resultados definidos.

RESULTADOS DEFINIDOS

Muito se fala em resultado definido na atenção farmacêutica, no entanto, o que vem a ser isto?

Nada mais é que uma forma de observar ou comprovar uma mudança de estado ou sintoma no paciente, tal mudança nos informará se ocorreu benefício ou prejuízo a este. Para ser mais claro, alguns exemplos de resultados definidos são:

  • Cura da doença do paciente
  • Eliminação ou redução de uma sintomatologia
  • Segurando ou diminuindo o progresso de uma doença
  • Prevenção de uma doença ou de uma sintomatologia

CENTROS DE INFORMAÇÕES SOBRE MEDICAMENTOS (CIM)

Entre 1950 e 1960 ocorreu um crescimento do número de medicamentos e de informações a serem administradas, de modo que se publicavam, aproximadamente, 250.000 pesquisas biomédicas por ano, fato que gerou uma necessidade de informações precisas e em tempo hábil e o Farmacêutico passou a ser solicitado a prestar tais informações para auxiliar na tomada de decisões farmacoterapêuticas, técnicas e administrativas.

Desta forma, em 1962, na Universidade do Kentucky, surgiu o primeiro Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM). No Brasil, o Centro Brasileiro de Informação sobre medicamentos – CEBRIM surgiu em 1994, estimulando a criação de novos CIM e propôs a criação do Sistema Brasileiro de Informação sobre Medicamentos – SISMED.

Desta forma entendemos um CIM como o lugar onde se realizam a seleção, a análise e a avaliação das fontes de informação sobre medicamentos, o que vai permitir a elaboração e a comunicação da informação desejada (MOLINA, G. G.; ALBEROLA, C, 1984) e a Informação sobre medicamentos como a provisão de informação imparcial, bem referenciada e criticamente avaliada sobre qualquer aspecto da prática farmacêutica (MALONE, P. M, 1996).

A informação sobre medicamentos é uma função básica da profissão farmacêutica e constitui parte integrante da Farmácia Hospitalar sendo um requisito para obtenção de padrões mínimos, sugerida pela SBRAFH.

META DO CIM

A promoção do uso racional de medicamentos.

INFORMAÇÃO

Deve ser objetiva, imparcial, ser imune a pressões políticas e econômicas.

Para exercer as funções no CIM, o Farmacêutico deve:

  • Competência na seleção;
  • Utilização e avaliação crítica da literatura;
  • Capacidade para apresentar a máxima informação relevante com um mínimo de documentação de suporte;
  • Conhecimento da disponibilidade de literatura, assim como de bibliotecas, centros de documentação, entre outros;
  • Capacidade de comunicar a informação farmacoterapêutica nas formas verbal e escrita;
  • Destreza no processamento eletrônico de dados;
  • Qualificação para participar nas Comissões de Farmácia e Terapêutica.

Para isto é preciso um Farmacêutico especializado em informação sobre medicamentos e uma bibliografia sobre medicamentos reconhecida internacionalmente e atualizada.

Não só o Farmacêutico, mas os demais profissionais precisam deter algumas competências como fornecer cuidado focado no paciente, saber trabalhar em equipe multiprofissional, empregar práticas baseadas em evidências, aplicar melhoria na qualidade e utilizar informática com desenvoltura.

FUNÇÕES DE UM CIM

  • Estabelecer e manter formulários baseados em evidências científicas
  • Desenvolver e participar de programa para o URM e de Prevenção do UIM
  • Dar suporte a CFT e a CCIH
  • Gerar publicações periódicas

– Folder, boletins, artigos…

  • Farmacovigilância…

FONTES DE INFORMAÇÕES

Primárias

Correspondem aos dados originais, apresentam vantagens como ser uma informação mais recente, atualizada, no entanto tem as desvantagens do alto custo e variabilidade na qualidade do conteúdo.

Como exemplo de fontes primárias tem os artigos da JAMA, RBCF e a Acta Bonaerensis.

Secundária

Fornecem-nos acesso às fontes primárias, são os indexadores e sites de busca

Ex: Pubmed; Medline e LILACS

Terciárias

São originadas das fontes primárias e secundárias e correspondem aos Livros, Compêndios e formulários.

Ex: Goodman & Gilman, Rang e Dale

TIPOS DE INFORMAÇÕES

Passiva

Atende uma resposta a pergunta do solicitante, o CIM espera passivamente pela manifestação do interesse do profissional de saúde ou do usuário.

Ativa

É quando o CIM avalia que informação deve prestar de acordo com a possível necessidade dos usuários (médicos, pacientes, enfermeiros, dentistas…).

FARMACOVIGILÂNCIA

Para entender este tema, é indispensável ler o capítulo 5 do livro da Storpirtis (Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica) ou o capítulo de farmacovigilância do Gomes (Ciências Farmacêuticas: Uma abordagem em farmácia hospitalar).

IMPLANTAÇÃO DA FARMÁCIA CLÍNICA EM AMBIENTE HOSPITALAR

Antes de qualquer coisa é fundamental reconhecer que os fármacos são riscos em potencial e que é responsabilidade do farmacêutico garantir resultados clínicos apropriados.

Para implantar um programa de Farmácia Clínica em uma instituição hospitalar o farmacêutico precisa de tempo e minimizar os erros de procedimento como os de administração de medicamentos, para isto um bom sistema de distribuição de medicamentos deve ser instituído, o modelo ideal é o de dose unitária, no entanto, por consequência do alto custo, no mínimo a dose individualizada deve ser instituída na unidade hospitalar. Além disto um processo de sensibilização da equipe de saúde deve ser iniciado e o investimento em automação deve ser pensado e implantado.

AUTOMAÇÃO NA FARMÁCIA HOSPITALAR

Uma boa automação aperfeiçoa os processos de deixa o farmacêutico mais livre para as atividades clínicas. Garantindo os cinco certos da automação:

  • O medicamento chega ao paciente certo
  • O paciente recebe o medicamento certo
  • Na dose certa
  • Na hora certa
  • Pela via certa

A automação ainda garante a rastreabilidade dos medicamentos, confere maior eficiência no controle de validades, melhora o controle de estoque, gerando estoques mais precisos e melhora a gestão de compras.

As tecnologias são as mais variadas:

  • Prescrição eletrônica
  • Código de Barras
  • PDA – tecnologia wireless
  • Equipamentos para fracionamento
  • RFID
  • Sistemas de distribuição
  • Gabinetes automatizados
  • Unidades centrais de dispensação – Robôs

Juntem as informações postadas aqui com as dos livros indicados e suas anotações e, certamente, vocês farão uma ótima prova.

REFERÊNCIAS

Brundtland Gro Harlem. Global partnerships for health. WHO Drug Information Vol 13, N. 2, 1999.

FONTELES, M M F, Aula de graduação no curso de farmácia UFC, 2008.

STORPIRTIS, S. et al. Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2008.

HEPLER, C. D.; STRAND; L. M. Oportunidades y responsabilidades en la Atención Farmacéutica. Pharmaceutical Care España, nº 1, p. 35-47, 1999.

Aula Farm. Nilson Gonçalves Malta. II Semana do Uso Racional de Medicamentos.

Código ATC (Anatomical Therapeutic Chemical)

março 9, 2010

O sistema de classificação ATC e a DDD são unidades de medidas consideradas padrão ouro para a pesquisa de utilização de medicamentos.

O sistema ATC e o DDD são ferramentas para a troca e comparação de dados locais, nacionais ou internacionais sobre o uso de medicamentos.

O Código ATC, usado desde a década de 1970 Em estudos de utilização de medicamentos, é uma ferramenta que nos fornece recursos para análises estatísticas sobre a utilização destes fármacos em diversos ambientes, algumas formas de uso do Código ATC são listadas a seguir:

  • Dados de vendas por atacado, tais como dados a nível nacional, regional ou local.
  • Dados sobre a dispensação de fármacos, seja global ou por amostra
  • Farmácias informatizadas podem, facilmente, recolher dados sobre a dispensação
  • Sistemas de reembolso, que operam em vários países, em nível nacional abrangente fornecem dados de distribuição até o nível de prescrição individual. Desta forma, todas as prescrições são apresentadas e registradas para o reembolso
  • Publicações fornecem o retorno aos serviços de saúde, grupos de prestadores de cuidados de saúde ou de prestadores de saúde do indivíduo sobre características de utilização de medicamentos por seus usuários

Estas são algumas das várias formas de se aproveitar os dados gerados pelo código ATC.

Como funciona?

Cada medicamento, dependendo da indicação de uso receberá um código específico, sendo assim, nos permitirá obter, através de uma pequena notação, informações importantes sobre o uso de fármacos. O sistema funciona da seguinte forma:

O código é dividido em 5 níveis:

O primeiro nível é o ANATÔMICO, refere-se ao sistema no qual o fármaco, na indicação especificada, irá agir para realizar seu efeito.

Código  Região ou sistema anatômico 
A Trato alimentar e metabólico
B Sangue e órgãos formadores de sangue
C Sistema cardiovascular
D Dermatológico
G Sistema geniturinário e hormônios sexuais
H Preparações hormonais sistêmicas, exceto hormônios sexuais e insulina
J Antiinfecciosos de uso sistêmico
L Antineoplásicos e agentes imunomoduladores
M Sistema músculo-esquelético
N Sistema nervoso
P Produtos antiparasitários, inseticidas e repelentes
R Sistema respiratório
S Órgãos sensoriais
V Vários

 

O segundo nível é o subnível TERAPÊUTICO, relaciona-se a farmacoterapia, à indicação de uso do fármaco. É composto por dois dígitos.

O terceiro nível é o subnível Farmacológico, indica o grupo farmacológico a que pertence o fármaco em questão.

O quarto nível é o químico, indica a que grupo químico o medicamento faz parte

O quinto nível representa o código referente ao próprio medicamento.

Exemplo:

A Trato alimentar e metabólico – (1º nível – Anatômico)
A10 Fármacos usados para diabetes – (2º nível – Terapêutico)
A10B Fármacos que diminuem os níveis glicêmicos, exceto a insulina – (3º nível – Farmacológico)
A10BA Biguanidas – (4º nível – Químico)
A10BA02    Metformina – (5º nível – a substância)

 

Fonte: Who Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology - http://www.whocc.no

Turma vamos aproveitar para treinar. Informem quais são os seguintes códigos ATC:

  1. Paracetamol, quando utilizado para dor (Lembrando que o paracetamol é chamado acetaminofen nos EUA e Europa)
  2. Risperidona
  3. Diclofenaco
  4. Ácido acetil salicílico quando usado para tratamento de tromboembolismo

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.