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Prova III

novembro 29, 2010

Olá turma, para nossa terceira avaliação de rendimento deste semestre é necessário que vocês estudem o  diabetes, hipertensão e casos clínicos.

Para aqueles que ainda não baixaram o Consenso Brasileiro de Hipertensão baixem a aula relacionada a este, assim como a parte do material correspondente à diabetes.

Aula do Consenso de Hipertensão – Clique AQUI

Aula do consenso de Diabetes – clique AQUI

Casos Clínicos:

Primeira série de casos – Clique AQUI

Segunda série de casos – Clique AQUI

Prova II

outubro 14, 2010

Turma, mais abaixo vocês verão uma série de informações que serão importantes para a vida profissional de vocês, no entanto para nossa próxima prova, será preciso estudar DIABETES e HIPERTENSÃO, suas características e tratamento.

 

SUCESSO PARA TODOS

Mais a frente vocês irão se deparar com informações diferentes das aulas, a questão é que a maioria delas correspondem a informações complementares. Para nossa segunda avaliação revisem as informações referentes ao seguimento farmacoterapêutico, as informações referentes a farmacovigilância que não foram ministradas para a avaliação anterior e as informações sobre o acompanhamento de usuários diabéticos. Para você estudar sobre diabetes reveja suas anotações e leia as Diretrizes Brasileiras de Diabetes, para isto clique aqui, a versão que disponibilizo aqui é a de  2008.

Atentem para palavras como: “sistemática” (obedecendo a um método, uma organização…); “contínua”, que tem o sentido de que os encontros devem ser frequentes, de modo que o usuário é acompanhado constantemente pelo farmacêutico com o objetivo de sanar e evitar problemas com medicamentos. Além disto, todas as ações devem ser documentadas, como se fosse um prontuário farmacêutico. Para se obter bons resultados é necessário que existam “resultados definidos”, quer dizer que para acompanhar um paciente não é possível ter a idéia de “melhorar o estado geral do paciente”, mas sim ter objetivos claros, como exemplos, é possível citar o controle da glicemia em pacientes diabéticos, da pressão em hipertensos, das convulsões em epilépticos… No entanto para acompanharmos se os resultados estão sendo atingidos devemos dispor de parâmetros de avaliação, dentre eles podemos mencionar a febre como parâmetro de monitorização para acompanhar o controle de infecções, os níveis de hemoglobina glicada e o valor da glicemia de jejum em pacientes diabéticos…

Quando os farmacêuticos decidiram realizar a atenção farmacêutica ficou claro que o desenvolvimento de métodos de seguimento seriam ferramentas muito úteis, por este motivo alguns pesquisadores, ao longo dos anos, reuniram-se para desenvolvê-los. Dentre os primeiros métodos desenvolvidos temos o Pharmacist Workup of Drug Therapy (PWDT), que podemos traduzir como “Análise da Farmacoterapia pelo Farmacêutico” desenvolvido por Strand, Morley e Cipolle em 1988. Este método foi criado, inicialmente, para a farmácia comunitária, no entanto adaptou-se muito bem ao seguimento farmacoterapêutico em farmácias hospitalares. O PDWT baseia-se no raciocínio clínico do farmacêutico, identificando as necessidades farmacoterapêuticas enquanto ele recebe a atenção farmacêutica. Este processo se divide em:

1.     Avaliação

2.     Desenvolvimento de um plano de cuidado

3.     O acompanhamento da evolução do paciente

Os métodos de seguimento farmacoterapêutico são os mais variados, dentre estes encontramos o SOAP que, nada mais é que o acrônimo dos passos necessários para sua execução, sendo estes os seguintes:

1.     Fase SUBJETIVA

a.     Momento em que se ouvem as queixas dos pacientes

                                          i.    Ex. o paciente informa que a pressão está alta porque sente dores de cabeça.

2.     Fase OBJETIVA

a.     Neste momento as queixas dos pacientes são confirmadas por métodos quantificáveis

                                          i.    Ex. A queixa subjetiva (PA elevada, por isso sente dores de cabeça) é confirmada por métodos quantificáveis (exames), neste caso o método é a aferição da pressão através de um esfignomanômetro.

3.     Fase de AVALIAÇÃO

a.     Neste momento as informações obtidas devem ser analisadas.

4.     Fase de PLANEJAMENTO

a.     O farmacêutico de posse das informações obtidas nas fases anteriores define a intervenção necessária para a resolução do problema, assim como um plano de seguimento farmacoterapêutico do paciente.

Dentre os métodos mais usados encontramos um que ganhou grande popularidade. Desenvolvido pelo Grupo de Estudos em Atenção Farmacêutica da Universidade de Granada, na Espanha, o Programa Dáder de Seguimento Farmacoterapêutico se tornou uma ferramenta bastante útil para os profissionais que realizam a atividade de atenção Farmacêutica, principalmente quando esta é realizada nas farmácias comunitárias.

O Dáder apresenta em seu Programa todas as suas fases bem definidas e de forma bem clara. Sendo estas as seguintes:

1.     Oferta do serviço

a.     Neste momento um usuário de medicamentos deve se dirigir ao farmacêutico para obter informações sobre algum tratamento. Cabe então ao profissional detectar a necessidade ou não de acompanhamento.

b.    Caso seja identificada a necessidade de um acompanhamento o farmacêutico oferta o serviço. Se este for aceito deve-se infirmar que o paciente deve trazer todos os medicamentos que existirem em sua casa.

2.     Primeira entrevista (ou primeira consulta farmacêutica)

a.     Nesta fase é importante manter o comportamento atento, utilizar as melhores técnicas de comunicação, ouvir e captar informações importantes.

b.    Esta entrevista é dividida em duas fases:

                                                          i.    Problema de saúde – neste momento avalia-se o conhecimento do paciente sobre o(s) problema(s), quais as principais características sobre este problema, quais as atitudes do paciente diante de complicações, parâmetros de monitorização…

                                                         ii.    Medicamentos da sacola – serão avaliados todos os medicamentos trazidos pelo usuário de modo a conhecer o máximo de informações sobre a forma de uso e o conhecimento do(s) medicamento(s) pelo usuário.

3.     Estado situacional

a.     Todas as informações são passadas paras as fichas de modo que se tenha o primeiro estado situacional do usuário;

4.     Fase de estudos

a.     De posse de todas as informações sobre o paciente, os problemas de saúde e os medicamentos, o farmacêutico deve se prepara tecnicamente adquirindo conhecimento sobre todos estes fatores.

5.     Fase de avaliação

a.     Após conhecer melhor o(s) problema(s) de saúde, o farmacêutico irá avaliar o caso e detectar todos os Problemas Relacionados com Medicamentos (PRM) reais (que aconteceram) ou potenciais (que podem vir a ocorrer).

6.     Fase de Intervenção

a.     Após a determinação dos PRM, o farmacêutico deverá realizar as intervenções necessárias para solucionar os problemas.

Não esqueça que tudo o que se faz na atenção farmacêutica deve ser muito bem registrado. Alguns profissionais utilizam fichas para preencher os dados dos pacientes assim como os achados durante as entrevistas e intervenções, no entanto, muitas empresas vêm desenvolvendo Softwares para registro de tais informações na área da atenção farmacêutica.

O que devemos observar sobre os medicamentos:

·         Indicações autorizadas

·         Mecanismo de ação

·         Posologia

·         Janela terapêutica

·         Interação

·         Farmacocinética

·         Interferências analíticas

·         Precauções

·         Contra-indicações

·         Problemas de segurança

 

ATENÇÃO FARMACÊUTICA

De acordo com o Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica podemos definir a atividade como sendo o “Modelo de prática farmacêutica, desenvolvida no contexto da Assistência Farmacêutica. Compreende atitudes, valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e co-responsabilidades da prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde, de forma integrada à equipe de saúde. É a interação direta do farmacêutico com o usuário, visando uma farmacoterapia racional e a obtenção de resultados definidos e mensuráveis, voltados para a melhoria da qualidade de vida. Esta interação também deve envolver as concepções dos seus sujeitos, respeitada as suas especificidades bio-psico-sociais, sob a ótica da integralidade das ações de saúde.”

 

PROBLEMA RELACIONADO COM MEDICAMENTO (PRM)

Na Atenção Farmacêutica a avaliação dos medicamentos se através do princípio básico que qualquer medicamento deve ser NECESSÁRIO, EFETIVO e SEGURO, no momento em que existe uma situação em que um destes princípios é ferido teremos um PRM instalado.

De acordo com o Terceiro Consenso de Granada os PRM são classificados da seguinte forma:

¢  O paciente NECESSITA do medicamento?

—  Problema de saúde não tratado: O paciente sofre de um problema de saúde associado a não receber um medicamento que necessita.

—  Uso de medicamento desnecessário: O paciente sofre por um problema de saúde associado ao uso de um medicamento que não necessita.

¢  O medicamento é EFETIVO?

—  Inefetividade não quantitativa: O paciente sofre por um problema de saúde associado a uma inefetividade não quantitativa do medicamento

—  Inefetividade quantitativa: O paciente sofre por um problema de saúde associado a uma inefetividade quantitativa do medicamento

¢  O medicamento é SEGURO?

—  Insegurança não quantitativa: O paciente sofre por um problema de saúde associado a uma insegurança não quantitativa do medicamento

—  Insegurança quantitativa: O paciente sofre por um problema de saúde associado a uma insegurança quantitativa do medicamento

A identificação destes PRM pode ser facilitada ao seguirmos o seguinte fluxograma para avaliação:

 

 

 

  FUNÇÕES DO FARMACÊUTICO

·         Realizar o acompanhamento/seguimento dos tratamentos farmacológicos;

·         Buscar, encontrar e documentar Problemas Relacionados com os Medicamentos (PRM), manifestados ou não;

·         Informar ao paciente/usuário dos PRM encontrados para tratar de resolvê-los juntos ou se for o caso, informar ao médico para que, uma vez avaliado o risco-benefício, decida se segue com o mesmo tratamento ou realiza mudanças oportunas;

·         Documentar resultados

 

NÃO É FUNÇÃO DO FARMACÊUTICO

·         Fazer anamnese clínica;

·         Diagnosticar ou prognosticar enfermidades;

·          Prescrever medicamentos;

·          Modificar doses e regimes terapêuticos prescritos;

·          Seguir a evolução de uma enfermidade

Devem ser convidados a participar do programa de atenção farmacêutica aqueles pacientes com:

·         Dois ou mais diagnósticos;

·         Três ou mais alterações laboratoriais;

·         Crônicos não cumpridores de seus tratamentos;

·         Hospitalizados com febre;

·         Cinco ou mais medicamentos;

·         Portadores de doenças induzidas por fármacos;

·         Expostos a medicamentos de alto risco ou de alto custo;

·         Com doenças endêmicas.

Quando se deseja realizar a atenção farmacêutica é fundamental seguir os seguintes passos para evitar erros e para se obter os melhores resultados durante a execução dos trabalhos:

1.     Realizar um diagnóstico da situação

o    Lugar de aplicação – onde se localiza a farmácia ou o hospital

o    Informações sobre os pacientes – qual o perfil dos pacientes (clientes) da farmácia ou do hospital em que será implantado o programa

o    Informações sobre os medicamentos

o    A viabilidade

2.     Formulação do plano

o    Quais os resultados esperados

o    Que métodos serão empregados

o    Quais os instrumentos de avaliação

o    Como serão realizadas as intervenções

o    Qual a duração do acompanhamento e das fases do processo

3.     Validação dos instrumentos e métodos

4.     Aplicação do plano

5.     Análise e documentação

 

COMUNICAÇÃO PROFISSIONAL-PACIENTE

Segundo Linda Gask e Tim Usherwood, “O sucesso de qualquer “consulta” depende de como o paciente e o Farmacêutico interagem”.

Antes de qualquer coisa, mantenha o comportamento atento, para tanto vale a pena usar algumas técnicas que podem facilitar a comunicação, dentre elas menciono as seguintes:

Uso de encorajadores mínimos – são interjeições ou pequenas perguntas ou exclamações que mostram ao paciente que você está conectado ao que ele está falando.

          “Oh!”, “então?”, “e depois?”, “e aí?”

          “O que mais?”

          “Umm-humm” “Uh-huh”

          “Aaaa…”

Repetir uma ou mais palavra chaves também pode ter o mesmo efeito:

[USUÁRIO] Pela manhã sinto muita dor, principalmente nas costas.

[FARMACÊUTICO] “Nas costas…” “Dor nas costas, não é?”

 

Use Perguntas abertas – as perguntas abertas são aquelas em que as respostas não são controladas, neste sentido o farmacêutico tem a possibilidade de obter informações que ele não esperava, favorecendo o aparecimento de novos fatos facilitando a compreensão dos relatos e, posteriormente, a avaliação do caso.

Ajuda a entender melhor uma situação que o paciente tenta relatar:

[FARMACÊUTICO] “Você pode me dar um exemplo de quando este problema aparece?” “O que você faz quando acontece isso?”

Ajuda o usuário a focalizar sua atenção na sua queixa:

[FARMACÊUTICO] “Como você se sente depois disso?”

Para elaborar uma pergunta aberta tente iniciar frases por:

·         “Como…”

·         “O que…”

·         “Você pode…

CUIDADO com o uso do “Por que…”, ele é muito inquisitório podendo fazer com que o usuário se sinta ameaçado e obrigado a explicar mais do que aquilo que ele se sente seguro. Fazendo com que o usuário passa a racionalizar suas respostas.

Perguntas abertas servem para:

·         O usuário clarear os seus problemas

·         Prover informações ao profissional

·         Abrir espaço para o usuário

 

Perguntas fechadas – Correspondem a um universo de respostas previsíveis e de opções bem limitadas, como “Sim” ou “Não” etc. Tenha cuidado com este tipo de pergunta pois pode tornar o paciente uma “vítima de ataque” – Parece que você está apenas tentando checar sua hipótese.

·         O usuário não consegue expressar espontaneamente

·         Você acha apenas o que procura

[FARMACÊUTICO] “Seu estômago doeu quando tomou este remédio?”

Perguntas fechadas servem para:

·         Obter informação específica

[FARMACÊUTICO] “Você toma este remédio antes ou depois das refeições?”

·         Checar se compreendeu o paciente

·         Controlar o tempo da entrevista

Outras estratégias de comunicação são as habilidades de escuta seletiva, dentre estas encontramos o Parafraseamento com o objetivo de direcionar a atenção para certos pontos da fala do usuário e negligenciar outros:

[USUÁRIO] “Meu estômago dói quando tomo este remédio, mas aí minha avó disse que é porque a lua está cheia. Na verdade, sempre que a lua está cheia eu sinto este tipo de coisa, minha vizinha disse que…”

[FARMACÊUTICO] “Quer dizer, então, que o estômago dói quando o senhor toma este medicamento!”

Parafrasear é a devolução, com suas próprias palavras, parte do conteúdo da informação passada pelo usuário com o propósito de:

·         Transmitir ao usuário que você está ligado a ele

·         Cristalizar o conteúdo do usuário tornando-o mais conciso

·         Prover avaliação da fidelidade de suas percepções sobre a narrativa do usuário

·         Direcionar a entrevista

A segunda habilidade de escuta seletiva é a Reflexão de sentimento, neste momento o farmacêutico interpreta o sentimento por traz da fala do usuário e o devolve na forma de palavras.

[USUÁRIO] “Amanhã vou fazer uns exames…” <falado com um tom de preocupação>

 

[FARMACÊUTICO] “Você parece estar tenso por causa destes exames”; “Eu sinto que você está…”

A última habilidade de escuta seletiva é a Sumarização, que nada mais é que o resumo da entrevista farmacêutica; é o fechamento da entrevista, o momento em que se checa a compreensão do usuário e do farmacêutico, além de ajudar o usuário a organizar seus pensamentos. No entanto deve-se expressar a sumarização de uma forma “tentativa” para que possa ser corrigido pelo usuário, deixando o paciente a vontade para corrigi-lo caso exista um equívoco na compreensão.

 

Para resumir os passos necessários para uma boa comunicação durante a entrevista da Atenção Farmacêutica é possível fazer o seguinte:

·         Use encorajadores mínimos, paráfrases e reflexões de sentimentos para indicar ao usuário que vocês está atento;

·         Observe a consistência das informações. Reflita os sentimentos, mas cuidado com as ambigüidades;

·         Observe questões importantes para devolvê-las mais tarde;

·         Distribua seus comentários e sumarize para o usuário o que você entendeu do diálogo na entrevista.

 

 

 

 

 

 

 

 

Prova I

setembro 1, 2010

PERCURSO HISTÓRICO

No início da trajetória da Profissão a população poderia contar uma figura muito ilustre nas comunidades e, principalmente, na saúde, o Boticário. Tratava-se de um profissional que conseguia agir em diversos âmbitos do contexto do medicamento, imagino alguém que identificava uma doença, indicava um medicamento e o preparava, em seguida auxiliava na administração… Bem, estamos falando de um profissional que suas ações apresentavam um impacto direto na saúde da população, alguns destes profissionais acabavam assumindo cargos políticos como consequência de sua influência na comunidade. Mas, com o passar do tempo, durante a revolução industrial, os medicamentos passaram a ser produzidos, em escala muito maior, pelas grandes indústrias. Com isto o Farmacêutico perdeu espaço neste cenário. Por este motivo o profissional passou a buscar outras áreas do conhecimento, dentre estas as análises clínicas passaram a ser muito valorizadas e corresponder a uma das principais atividades profissionais.

Antes da revolução industrial o boticário tinha a função de obter, preparar e a avaliar os produtos medicamentosos, com o dever primário de garantir que os fármacos que ele comercializava fossem puros, não adulterados e preparados segundo a arte (Hepler e Strand, 1990).

Embora uma evasão do contexto do medicamento tenha ocorrido durante a revolução industrial, também ocorreu um aumento no número de publicações na área farmacêutica e muito profissionais não se renderam a industrialização e passaram a pesquisar e a aprimorar-se. Neste momento surge a figura do Farmacêutico Clínico, aproximadamente em 1960, correspondendo a um profissional que assessora, aconselha e educa sobre o uso correto de medicamentos. A atividade de Farmácia Clínica representa a introdução da prática farmacêutica ao paciente por meio dos serviços que passaram a ser prestados.

Muitas dúvidas surgiram neste momento, por este motivo, alguns eventos internacionais e publicações surgiram para que fosse possível discutir as novas práticas profissionais. Dentre estes Brodie (1967) já levantava idéias de que o cuidado e a responsabilidade social com o paciente foram negligenciados até aquele momento e criticava o foco do farmacêutico que continuava no medicamento, embora mais próximo do paciente e a atenção profissional voltada para o sistema biológico do paciente.

Já década de 1980 os farmacêuticos foram forçados a mudar de atitude assumindo novas responsabilidades. Alguns seguiram a tendência, outros mantiveram o status quo o que pode ter resultado em disputas entre facções e na fragmentação decorrente destas.

Em 1985 Charles Hepler, ao participar de uma conferência intitulada As direções para a prática clínica em farmácia, organizada pela American Society of Health-Sustem Pharmacistis, diz que “se deve estabelecer um compromisso para desenvolver a Farmácia como uma verdadeira profissão clínica e que se deve estabelecer um pacto entre farmacêuticos e pacientes e por extensão entre Farmácia e Sociedade”. Em 1987 Hepler descreveu uma idéia que chamava de Atenção Farmacêutica e relatava que “Os farmacêuticos clínicos devem mudar sua ênfase de realizar somente funções clínicas isoladas aos pacientes e devem passar a aceitar sua parcela de responsabilidade na atenção aos pacientes”.

Até que em 1987 Hepler convida a pesquisadora Linda Strand a trabalharem juntos, na Universidade da Flórida, nesta nova idéia. Esta união resultou em 1990 no mais famoso artigo publicado sobre Atenção Farmacêutico, intitulado “Oportunidades em responsabilidades na atenção farmacêutica”. Este momento pode ser enquadrado no que eles chamam de Etapa do cuidado do paciente que apresenta a morbidade e a mortalidade por medicamentos como elementos importantes neste contexto.

Para entenderem melhor este processo Leiam o artigo relatado (Hepler e Strand, 1990). Nele você verá uma discrição simples, mas direta do que vem a ser esta nova idéia e define a nova atividade como “a provisão responsável da farmacoterapia com o propósito de alcançar resultados definidos que melhorem a qualidade de vida do paciente”.

Muita coisa mudou, com o passar do tempo, e alguns eventos ocorreram pelo mundo discutindo as novas práticas clínicas profissionais e as novas atividades profissionais. Desta forma em 1993 foi publicada a Declaração de Tóquio, em 1999 surgiu o Primeiro Consenso de Granada sobre problemas relacionados com medicamentos, já em 2002 o Consenso de Granada sobre problemas relacionados com medicamentos e, neste mesmo ano, baseado em uma série de reuniões pelo Brasil, iniciada na cidade de Fortaleza, foi publicada a Proposta de Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica. O qual define a atividade como um modelo de prática farmacêutica, desenvolvida no contexto da Assistência Farmacêutica. Compreende atitudes, valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e co-responsabilidades da prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde, de forma integrada à equipe de saúde. É a interação direta do farmacêutico com o usuário, visando uma farmacoterapia racional e a obtenção de resultados definidos e mensuráveis, voltados para a melhoria da qualidade de vida. Esta interação também deve envolver as concepções dos seus sujeitos, respeitadas as suas especificidades bio-psico-sociais, sob a ótica da integralidade das ações de saúde.

As coisas acontecem muito rápido para a atenção farmacêutica, já em 2007 foi publicado o Terceiro consenso de granada sobre problemas relacionados com medicamentos e resultados negativos associados ao medicamento.

O CENÁRIO DA UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS

Estima-se que, aproximadamente, 4 em cada 1.000 pacientes hospitalizados morram por consequência problemas no uso de medicamentos e até 75% dos antibióticos são prescritos inapropriadamente, além de que 50% dos pacientes, em média, tomam seus medicamentos corretamente, fato que vem contribuindo para o crescimento constante da resistência da maioria dos germes causadores de enfermidades infecciosas prevalentes. Como se não bastasse, a metade dos consumidores compra medicamentos para tratamento de um só dia.

Podemos dizer que o objetivo da atenção farmacêutica é melhorar a qualidade de vida dos pacientes mediante resultados definidos.

RESULTADOS DEFINIDOS

Muito se fala em resultado definido na atenção farmacêutica, no entanto, o que vem a ser isto?

Nada mais é que uma forma de observar ou comprovar uma mudança de estado ou sintoma no paciente, tal mudança nos informará se ocorreu benefício ou prejuízo a este. Para ser mais claro, alguns exemplos de resultados definidos são:

  • Cura da doença do paciente
  • Eliminação ou redução de uma sintomatologia
  • Segurando ou diminuindo o progresso de uma doença
  • Prevenção de uma doença ou de uma sintomatologia

CENTROS DE INFORMAÇÕES SOBRE MEDICAMENTOS (CIM)

Entre 1950 e 1960 ocorreu um crescimento do número de medicamentos e de informações a serem administradas, de modo que se publicavam, aproximadamente, 250.000 pesquisas biomédicas por ano, fato que gerou uma necessidade de informações precisas e em tempo hábil e o Farmacêutico passou a ser solicitado a prestar tais informações para auxiliar na tomada de decisões farmacoterapêuticas, técnicas e administrativas.

Desta forma, em 1962, na Universidade do Kentucky, surgiu o primeiro Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM). No Brasil, o Centro Brasileiro de Informação sobre medicamentos – CEBRIM surgiu em 1994, estimulando a criação de novos CIM e propôs a criação do Sistema Brasileiro de Informação sobre Medicamentos – SISMED.

Desta forma entendemos um CIM como o lugar onde se realizam a seleção, a análise e a avaliação das fontes de informação sobre medicamentos, o que vai permitir a elaboração e a comunicação da informação desejada (MOLINA, G. G.; ALBEROLA, C, 1984) e a Informação sobre medicamentos como a provisão de informação imparcial, bem referenciada e criticamente avaliada sobre qualquer aspecto da prática farmacêutica (MALONE, P. M, 1996).

A informação sobre medicamentos é uma função básica da profissão farmacêutica e constitui parte integrante da Farmácia Hospitalar sendo um requisito para obtenção de padrões mínimos, sugerida pela SBRAFH.

META DO CIM

A promoção do uso racional de medicamentos.

INFORMAÇÃO

Deve ser objetiva, imparcial, ser imune a pressões políticas e econômicas.

Para exercer as funções no CIM, o Farmacêutico deve:

  • Competência na seleção;
  • Utilização e avaliação crítica da literatura;
  • Capacidade para apresentar a máxima informação relevante com um mínimo de documentação de suporte;
  • Conhecimento da disponibilidade de literatura, assim como de bibliotecas, centros de documentação, entre outros;
  • Capacidade de comunicar a informação farmacoterapêutica nas formas verbal e escrita;
  • Destreza no processamento eletrônico de dados;
  • Qualificação para participar nas Comissões de Farmácia e Terapêutica.

Para isto é preciso um Farmacêutico especializado em informação sobre medicamentos e uma bibliografia sobre medicamentos reconhecida internacionalmente e atualizada.

Não só o Farmacêutico, mas os demais profissionais precisam deter algumas competências como fornecer cuidado focado no paciente, saber trabalhar em equipe multiprofissional, empregar práticas baseadas em evidências, aplicar melhoria na qualidade e utilizar informática com desenvoltura.

FUNÇÕES DE UM CIM

  • Estabelecer e manter formulários baseados em evidências científicas
  • Desenvolver e participar de programa para o URM e de Prevenção do UIM
  • Dar suporte a CFT e a CCIH
  • Gerar publicações periódicas

– Folder, boletins, artigos…

  • Farmacovigilância…

FONTES DE INFORMAÇÕES

Primárias

Correspondem aos dados originais, apresentam vantagens como ser uma informação mais recente, atualizada, no entanto tem as desvantagens do alto custo e variabilidade na qualidade do conteúdo.

Como exemplo de fontes primárias tem os artigos da JAMA, RBCF e a Acta Bonaerensis.

Secundária

Fornecem-nos acesso às fontes primárias, são os indexadores e sites de busca

Ex: Pubmed; Medline e LILACS

Terciárias

São originadas das fontes primárias e secundárias e correspondem aos Livros, Compêndios e formulários.

Ex: Goodman & Gilman, Rang e Dale

TIPOS DE INFORMAÇÕES

Passiva

Atende uma resposta a pergunta do solicitante, o CIM espera passivamente pela manifestação do interesse do profissional de saúde ou do usuário.

Ativa

É quando o CIM avalia que informação deve prestar de acordo com a possível necessidade dos usuários (médicos, pacientes, enfermeiros, dentistas…).

FARMACOVIGILÂNCIA

Para entender este tema, é indispensável ler o capítulo 5 do livro da Storpirtis (Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica) ou o capítulo de farmacovigilância do Gomes (Ciências Farmacêuticas: Uma abordagem em farmácia hospitalar).

IMPLANTAÇÃO DA FARMÁCIA CLÍNICA EM AMBIENTE HOSPITALAR

Antes de qualquer coisa é fundamental reconhecer que os fármacos são riscos em potencial e que é responsabilidade do farmacêutico garantir resultados clínicos apropriados.

Para implantar um programa de Farmácia Clínica em uma instituição hospitalar o farmacêutico precisa de tempo e minimizar os erros de procedimento como os de administração de medicamentos, para isto um bom sistema de distribuição de medicamentos deve ser instituído, o modelo ideal é o de dose unitária, no entanto, por consequência do alto custo, no mínimo a dose individualizada deve ser instituída na unidade hospitalar. Além disto um processo de sensibilização da equipe de saúde deve ser iniciado e o investimento em automação deve ser pensado e implantado.

AUTOMAÇÃO NA FARMÁCIA HOSPITALAR

Uma boa automação aperfeiçoa os processos de deixa o farmacêutico mais livre para as atividades clínicas. Garantindo os cinco certos da automação:

  • O medicamento chega ao paciente certo
  • O paciente recebe o medicamento certo
  • Na dose certa
  • Na hora certa
  • Pela via certa

A automação ainda garante a rastreabilidade dos medicamentos, confere maior eficiência no controle de validades, melhora o controle de estoque, gerando estoques mais precisos e melhora a gestão de compras.

As tecnologias são as mais variadas:

  • Prescrição eletrônica
  • Código de Barras
  • PDA – tecnologia wireless
  • Equipamentos para fracionamento
  • RFID
  • Sistemas de distribuição
  • Gabinetes automatizados
  • Unidades centrais de dispensação – Robôs

Juntem as informações postadas aqui com as dos livros indicados e suas anotações e, certamente, vocês farão uma ótima prova.

REFERÊNCIAS

Brundtland Gro Harlem. Global partnerships for health. WHO Drug Information Vol 13, N. 2, 1999.

FONTELES, M M F, Aula de graduação no curso de farmácia UFC, 2008.

STORPIRTIS, S. et al. Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2008.

HEPLER, C. D.; STRAND; L. M. Oportunidades y responsabilidades en la Atención Farmacéutica. Pharmaceutical Care España, nº 1, p. 35-47, 1999.

Aula Farm. Nilson Gonçalves Malta. II Semana do Uso Racional de Medicamentos.

Código ATC (Anatomical Therapeutic Chemical)

março 9, 2010

O sistema de classificação ATC e a DDD são unidades de medidas consideradas padrão ouro para a pesquisa de utilização de medicamentos.

O sistema ATC e o DDD são ferramentas para a troca e comparação de dados locais, nacionais ou internacionais sobre o uso de medicamentos.

O Código ATC, usado desde a década de 1970 Em estudos de utilização de medicamentos, é uma ferramenta que nos fornece recursos para análises estatísticas sobre a utilização destes fármacos em diversos ambientes, algumas formas de uso do Código ATC são listadas a seguir:

  • Dados de vendas por atacado, tais como dados a nível nacional, regional ou local.
  • Dados sobre a dispensação de fármacos, seja global ou por amostra
  • Farmácias informatizadas podem, facilmente, recolher dados sobre a dispensação
  • Sistemas de reembolso, que operam em vários países, em nível nacional abrangente fornecem dados de distribuição até o nível de prescrição individual. Desta forma, todas as prescrições são apresentadas e registradas para o reembolso
  • Publicações fornecem o retorno aos serviços de saúde, grupos de prestadores de cuidados de saúde ou de prestadores de saúde do indivíduo sobre características de utilização de medicamentos por seus usuários

Estas são algumas das várias formas de se aproveitar os dados gerados pelo código ATC.

Como funciona?

Cada medicamento, dependendo da indicação de uso receberá um código específico, sendo assim, nos permitirá obter, através de uma pequena notação, informações importantes sobre o uso de fármacos. O sistema funciona da seguinte forma:

O código é dividido em 5 níveis:

O primeiro nível é o ANATÔMICO, refere-se ao sistema no qual o fármaco, na indicação especificada, irá agir para realizar seu efeito.

Código  Região ou sistema anatômico 
A Trato alimentar e metabólico
B Sangue e órgãos formadores de sangue
C Sistema cardiovascular
D Dermatológico
G Sistema geniturinário e hormônios sexuais
H Preparações hormonais sistêmicas, exceto hormônios sexuais e insulina
J Antiinfecciosos de uso sistêmico
L Antineoplásicos e agentes imunomoduladores
M Sistema músculo-esquelético
N Sistema nervoso
P Produtos antiparasitários, inseticidas e repelentes
R Sistema respiratório
S Órgãos sensoriais
V Vários

 

O segundo nível é o subnível TERAPÊUTICO, relaciona-se a farmacoterapia, à indicação de uso do fármaco. É composto por dois dígitos.

O terceiro nível é o subnível Farmacológico, indica o grupo farmacológico a que pertence o fármaco em questão.

O quarto nível é o químico, indica a que grupo químico o medicamento faz parte

O quinto nível representa o código referente ao próprio medicamento.

Exemplo:

A Trato alimentar e metabólico – (1º nível – Anatômico)
A10 Fármacos usados para diabetes – (2º nível – Terapêutico)
A10B Fármacos que diminuem os níveis glicêmicos, exceto a insulina – (3º nível – Farmacológico)
A10BA Biguanidas – (4º nível – Químico)
A10BA02    Metformina – (5º nível – a substância)

 

Fonte: Who Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology - http://www.whocc.no

Turma vamos aproveitar para treinar. Informem quais são os seguintes códigos ATC:

  1. Paracetamol, quando utilizado para dor (Lembrando que o paracetamol é chamado acetaminofen nos EUA e Europa)
  2. Risperidona
  3. Diclofenaco
  4. Ácido acetil salicílico quando usado para tratamento de tromboembolismo

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